essas fotos são do primeiro DvD de rap Do Nordeste foi uma festa massa,varios parceiros a união fez a força todos que participarão estão de parabéns
Entrevista com Prof° Adjair Alves. Antropólogo e pesquisador do hip-hop em Caruaru. ________
Como vejo o hip-hop em Caruaru?
O hip-hop surge, em Caruaru, no espaço descontraído das vielas e becos da favela onde ainda é possível manifestar opiniões, ser, sentindo, ou melhor, sentindo para ser. É aí, no contato com seus iguais (o grupo) que se torna possível a qualquer jovem sentir e vivenciar a rara oportunidade da livre-expressão através da arte, embora ainda sob olhares inquisidores, tendo que enfrentar o preconceito de quem não se convence da pluralidade cultural. O cotidiano nas favelas de Caruaru pode ser hostil e feio. Mas não é estéril. Saído de suas vielas fétidas, com força de uma cultura visceral na sua rebeldia e transformando-se em movimento social, o hip-hop busca a afirmação política na luta das minorias, pelo direito de se afirmarem como de fato são: diferentes, mas não, inferiores. O hip-hop está lá: na feiúra do subúrbio e das favelas, onde se espalham em músicas, bandas, bailes, códigos de comportamento, gírias e sinais. Como no país inteiro, o hip-hop tem crescido e adquirido um poder de representação da juventude sofrida das periferias. Em Caruaru, a cena hip-hop, embora tendo iniciado por volta da década de 90, com algumas iniciativas de alguns jovens que se juntavam para faze cover das grandes bandas nacionais, é, no entanto, com a criação da Família MBJ por volta de o ano 2000/2002, que adquire sua maior expressão. A família MBJ tem um papel significativo na constituição das atividades do movimento hip-hop não apenas no Morro Bom Jesus, mas em toda periferia do Agreste de Pernambuco, marcando inclusive a maior cena hip-hop do interior de Pernambuco. A família MBJ, hoje, é a maior manifestação da força da juventude da periferia urbana do interior de Pernambuco, concentrando, através de um projeto cultural, os ideais de justiça social pautada por dois princípios básicos: o reconhecimento, pois trata de enfrentar os poderes em defesa da vida cultural na periferia; e a distribuição, pois luta por um processo de inclusão social dos jovens periféricos. A família MBJ vem procurando o apoio econômico da Prefeitura do Município através da Secretária de Educação, da Fundação de Cultura e da Secretaria da Juventude, para desenvolver projetos sociais no Morro. Entender as ações culturais produzidas pelo hip-hop como alternativa no resgate da cidadania na periferia é o passo essencial a quem quer compreender a ação do movimento Juvenil como um trabalho positivo.
Minha opinião sobre o rap?
O rap não é construído com pretensões, meramente, comercial, nem tão pouco, objetiva atender a um projeto personalista de promoção econômico-romantizada. Sua essência é a defesa da vida na periferia, contra os males provocados pela ganância e a avareza do sistema capitalista. Contra o modismo da sociedade de consumo, o uso do corpo e da sensualidade como mercadoria a serviço do capital. Isto não significa que não invistam no profissionalismo, ou que os rappers não comercializem suas produções; pois o sonho de sobreviver como artista da periferia não está descartado. Mas estes jovens têm a nítida compreensão do seu papel social e assim têm trabalhado na construção de uma realidade mais saudável. Tenho acompanhado a evolução do rap em Caruaru e sou testemunha de que esses jovens têm crescido muito. O rap em Caruaru tem se profissionalizado com a formação de bandas hoje conhecidas nacionalmente.
Se a musica pode ressocializar o ser humano?
Diria que não apenas a música, mas a cultura, como um texto, possibilita aos jovens da periferia recriar o cotidiano e a própria vida. Na medida em que se identifica com o discurso presente no rap, mesmo quando esse discurso tem características reveladoras de um passado que ele desejaria esquecer, ele enxerga a possibilidade de recuperar o tempo perdido. Assim, constrói um caminho por onde acredita transformar a realidade. O rap surge em seu caminho como o primeiro passo. Atraído pela rima, começa a acreditar poder re-escrever sua história. Sua trajetória de vida, a partir daí, é reestruturada e, num verdadeiro jogo de memória no qual sua vida ganha um sentido, uma linguagem, vai ocupando sua mente e criando redes sociais, vínculos positivos. Mais do que isso, ele começa um trabalho de construção de sua auto-estima. E estabelece uma relação de pertença com o lugar-origem, de sua existência. Na verdade, a favela está marcada por uma vida cultural, contaminada por regras rígidas e assustadoras de comportamentos. Essas regras também são paradoxais, pois, ao mesmo tempo em que pode ser um espaço de inclusão, a favela é, também, de exclusão. Nesse território, marca-se domínio pelo qual as idéias e as ações circulam: discussões, confrontos de galeras demarcando responsabilidades, saídas para os problemas sociais. A cultura e o lazer são tomados aí como saídas sociais, sobretudo porque os hoppers consideram que essas atividades são educativas e, as instituições sociais constituídas para desenvolvimento das políticas públicas de cultura e lazer, não parecem incluir, em suas pautas, as questões da periferia.
O que esta faltando pra o rap nordestino se tornar mais interativo?
Não acho que esteja faltando nada! Sobretudo porque o movimento hip-hop é um movimento histórico e atende o movimento da história. O rap tem feito seu papel, tem evoluído bastante, é só esperar o tempo, pois maturidade se constrói no tempo e na história. Cada um é cada um e o rap de Caruaru tem compreendido muito bem isso. Cada rappers tem sua história, e suas diferenças. O que se tem que fazer é respeitar essas diferenças e entender que a luta é contra o grande inimigo: o Sistema. Eu vejo no movimento em Caruaru, que os jovens têm sabido respeitar essas diferenças. Críticas vão sempre existir e elas são necessárias, pois são como teste da nossa sobrevivência. Ajuda-nos a ficar méis fortes. Então é só correria hoje e esperar para colher os frutos amanhã.
Minha opinião?
Eu não diria opinião, mas percepção. Iniciei essa entrevista dizendo que tinha acompanhado o hip-hop de Caruaru desde a fundação da Família MBJ. Se não me engano, devo ter conhecido vcs um pouquinho já no caminho da organização. Quando eu vejo as produções de vcs no orkut, construção de blog, matérias em jornais, revista Rap Brasil, Gravações de Cds e Demos, DVDs. Nossa! Eu só tenho a dizer que vcs são mais que vencedores. Eu sou fã do hip-hop de Caruaru. O Morro Bom Jesus é uma escola de vida pra mim. Tenho aprendido muito que a vida é trabalho, quando estou com vcs. Minha opinião é que vcs estão no caminho certo. Lutem e não deixem, jamais, o sonho morrer. Que morram os inimigos do hip-hop! Mas o sonho, jamais!





, [url=
, [url=
Comentários